Destaque 1, Notícias › 10/09/2018

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Quem é o bispo? Papa explica 3 características essenciais desta vocação

Papa Francisco recebe 74 bispos dos territórios de missão no Vaticano (2018) /
Crédito: Vatican News

No último dia 8 de setembro, o Papa Francisco recebeu em audiência os bispos dos Territórios da Missão e apresentou-lhes três características essenciais que devem fazer parte da sua vocação: ser homens de oração, de anúncio e de comunhão.

“Graças à efusão do Espírito Santo, o bispo é configurado a Cristo Pastor e Sacerdote. É chamado a ter os lineamentos do Bom Pastor e a tomar para si o coração do sacerdócio, ou seja, a oferta da vida. Portanto, o pastor não vive para si, mas está voltado a dar a vida pelas ovelhas, em particular, as mais vulneráveis e em perigo”, disse o Santo Padre no início do seu discurso aos 74 novos bispos da América, África, Ásia e Oceania.

O encontro ocorreu durante um seminário realizado entre os dias 3 e 15 de setembro em Roma, promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos, realizado na Sala Clementina do Palácio Apostólico.

A seguir, três características essenciais de um bispo descritas pelo Papa:

1. Homem de oração

O Santo Padre explicou que um bispo é sucessor dos Apóstolos e, como os Apóstolos, é chamado por Jesus a estar com Ele, por isso, “diante do tabernáculo aprende a entregar-se e a confiar no Senhor”, porque é onde “encontra a sua força e a sua confiança”.

“Assim amadurece n’ele a consciência de que também de noite, quando dorme, em meio ao cansaço e suor no campo que cultiva, a semente amadurece.  A oração para o bispo não é uma devoção, mas uma necessidade; não é mais uma tarefa entre outras, mas um ministério de intercessão indispensável: deve  todos os dias, as pessoas e as situações diante de Deus”, sublinhou o Pontífice.

2. Homem de anúncio

Em segundo lugar, o Papa indica que o bispo, sucessor dos Apóstolos, “recebe como próprio o mandato que Jesus deu a eles: ‘Ide e anunciai o Evangelho’”.

“‘Ide’: o Evangelho não se anuncia estando sentado, mas pondo-se em caminho. O bispo não vive em escritório, como um administrador empresarial, mas no meio do povo, pelas estradas do mundo, como Jesus. Leva o seu Senhor onde não é conhecido, onde é desfigurado e perseguido”.

Sobre o estilo do anúncio, pediu aos prelados: “Testemunhar com humildade o amor de Deus, como Jesus fez, que por amor se humilhou”.

Também o exortou a tomar cuidado com o mundanismo, porque correm o risco “de atenuar a Palavra de salvação propondo um Evangelho sem Jesus crucificado e ressuscitado”.

3. Homem de comunhão

Finalmente, a terceira característica proposta pelo Papa aos bispos é que sejam homens de comunhão. “O bispo não pode ter todos os dons, o conjunto dos carismas, mas é chamado a ter o carisma do conjunto, ou seja, a manter unidos, a cimentar a comunhão”.

“A Igreja precisa de união, não de solistas fora do coro ou de condutores de batalhas pessoais. O Pastor reúne: bispo para seus fiéis, é cristão com seus fiéis. Não faz notícia nos jornais, não busca o consenso do mundo, não tem interesse em tutelar o seu bom nome, mas ama tecer a comunhão envolvendo-se em primeira pessoa e agindo com mansuetude”.

“Não sofre de falta de protagonismo, mas vive radicado no território, rejeitando a tentação de ausentar-se frequentemente da Diocese e foge da busca de glórias para si”, acrescentou o Papa.

Finalmente, o Papa pediu aos bispos que sempre recebam e encorajem seus sacerdotes; promovendo o bom exemplo e fugindo do clericalismo, “uma maneira anômala de entender a autoridade na Igreja, muito comum em numerosas comunidades nas quais se verificaram comportamentos de abuso sexual, de poder e de consciência”.

“Dizer não ao abuso de poder, de consciência, ou qualquer outro tipo de abuso, significa dizer não a qualquer forma de clericalismo”, sublinhou.

“Portanto, sejam homens pobres em bens, ricos em relações, nunca sejam duros e resmungões, mas afáveis, pacientes, simples e abertos”, concluiu.

Por Acidigital